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quarta-feira, 12 de maio de 2010


Duelo

11
Eu não sou como a maioria das pessoas. Pra falar a verdade, elas me enjoam. Não deveria ser assim, eu sei. Para atingir o que eu acredito como verdade, eu deveria aceitar as pessoas como elas são, e não me sentir incomodada com elas. Mas não consigo. Não gosto que subestimem o que eu sinto, muito menos que me digam o que fazer e que a forma na qual eu decidi viver a minha vida está errada. As pessoas só acreditam no que elas vêem e julgam. Se ao menos respeitassem a escolha alheia( a minha escolha, no caso), seria mais fácil que eu não ficasse tão enjoada com a presença delas.
Não tenho necessidade de quase ninguém. A vida me ensinou a não contar com as pessoas. Me ensinou que não, meus 'amigos' não estarão lá quando eu precisar, e que mais cedo ou mais tarde, tais fulanos tomarão o rumo deles e não irão mais se importar (salvo raras exceções). O sofrimento foi tão grande que hoje, apesar de ser extremamente educada e tratar a todas as pessoas bem, tenho dificuldade gigantesca de me apegar a elas. Não sei se isso é bom ou ruim. Não foi sempre assim, mas por enquanto, não posso e nem quero mudar isso.
Não desgosto de ninguém. Tenho pena do ser humano. Existir é uma tarefa árdua, e eu realmente admiro quem consegue carregar essa tarefa de uma forma mais leve. Admiro aquelas pessoas que não seguem o 'sistema', aquelas pessoas que, por enfrentarem tamanhas dificuldades na vida, conseguem enxergar além do pequeno mundo que as rodeiam. Gosto das pessoas mentalmente desenvolvidas, ou espiritualmente desenvolvidas. Gosto da experiência, nunca do julgamento.
Mas o que me rodeia não vai muito além do que eu chamo de bolha...
Estou cansada de ouvir as mesmas pessoas com os mesmos assuntos, as mesmas fragilidades que se aproveitam das minhas fragilidades. Não suporto mais ouvir algumas palavras, elas me cansam, me deixam estagnada.
Quando eu penso acreditar no ser humano novamente, a utopia vai-se embora, e eu os percebo como completas imperfeições incômodas, novamente. Sei que também sou uma imperfeição, mas pelo menos não sou incômoda. Vivo a minha vida à minha maneira, sem perturbar ninguém, sem interferir na vida de ninguém, e principalmente, sem dar palpites falhos na vida daqueles que não me considero íntima.
Tenho medo de até onde isso possa chegar. Não sei até quando vou aguentar sem explodir. Mas sei que não está perto de terminar. E quem deve se adaptar, sou eu. Mas eu já deveria ter me adaptado.
Não me levem a mal, mas minhas fragilidades, frustrações, fraquezas e superficialidades já estão cansadas de pedir arrego e sempre prosseguirem.

Visitem meu flickr! :}
http://flickr.com/louiseattaque

11 comentários:

Juan Moravagine Carneiro disse...

Entender o outro não quer dizer que devemos nos castrar pelo mesmo...acredito que entendi seu ponto de vista...

...Gosto de uma frase do Emerson que diz: "é fácil viver no mundo conforme a opinião das pessoas. Mas o grande homem é aquele que mantém a independência da solidão"!

Eduardo Andrade disse...

o ser humano é sujo, feio, inconstante, só pensa nele mesmo, o ser humano na verdade só quer saber da sua própria existência, ele não importa-se com pequenas coisas, o ser humano esqueceu de apreciar o quando é bonito ver os pingos da chuva caindo, QUE PENA

http://preludiopostumo.blogspot.com/

Jessica disse...

parabéns pelo blog estou lendo os seus textos e parabéns você escreve muuito bem
http://meucopas.blogspot.com/

Talles azigon disse...

eis nossa grande dificuldade minha cara, saber ler a alma do outro, isso é impossível, por isso caímos sempre no desentendimento, entender e aceitar é uma grande virtude que estamos todos longes de alcançar

Lopes, N. disse...

Sinto-me inspirada toda vez que passo por aqui. ^^

Gostei muito do texto, condiz com a realidade... É por esse e outros motivos que eu primo pelo amo-próprio, pois já dizia Fiódor Dostoiévski em "Crime e Castigo";
"Antes de mais nada ama-te a ti próprio, porque tudo no mundo está baseado no interesse pessoal"
O restante, é só uma consequência!

=*

SABRINA SATIL disse...

Á vezes me sinto assim, me canso de ouvir as mesmas coisas saindo da boca das mesmas pessoas. Tbm percebo em mim uma certa resistência de me apegar as pessoas. Confianca nem se fala, não confio mais em qualquer um. É triste a gente tão nova já estarmos tão desiludidas, mais fazer o que, os poucos anos que vivemos nos fez perceber tudo isso.

C. disse...

"Tenho medo de até onde isso possa chegar. Não sei até quando vou aguentar sem explodir."
Sei muito bem o que queres dizer.
Maravilhoso o texto!

Tifany Dimytria. disse...

O desapego é uma coisa boa. eu sei.

(L)

Dear Letícia disse...

Obrigada pelo comentário, é eu sempre tento ao invés de passar um texto passar a minha opinião. E eu adoro o seu blog também desculpe a demora do comentário é que eu não estava entrando esses dias enfim obrigada e Beijos.

#.Nanii disse...

" Vivo a minha vida à minha maneira, sem perturbar ninguém, sem interferir na vida de ninguém, e principalmente, sem dar palpites falhos na vida daqueles que não me considero íntima." conseguiu me descrever *---*

Cris Prates disse...

Meniina!!! Adorei teu blog e os textos então... Passei por acaso, vi na comu do blogger e o nome me chamou a atenção...já estou te seguindo, qro reber as atualizações toda a vez q tu postar. bjks...