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quinta-feira, 22 de abril de 2010


Século XX

4

Eu sou a pintura agressiva de cores e traços fortes, pele azul turquesa e fundo amarelo ovo, pendurada na esquina daquele corredor.Observo, entre olhos intensos e delineados a força das mulheres de cabelos curtos a 'la garçonne', sempre enfeitados com tiaras vibrantes ou penas coloridas. A força da liberdade, o cigarro como porta principal de entrada para a alma livre, desempedida, ao som de jazz e óperas trágicas.Eu sou arte moderna, seu grito de liberdade, seu anseio de futuro.
Você pode me encontrar naquela praia quase deserta, observando a intensidade do mar azul sobre o brilho acolhedor do sol de Dezembro, cantarolando aquela canção melancólica que entornava pelos lábios vermelhos de Marlene Dietrich. Brincando com a areia, areia que o vento levou. Pensando no amor. No amor. No amor que o vento levou. E o vento levou.
Eu sou Hayworth de coração. Eu sou o cinema e a sua mágica e as suas canções. Eu sou o grito de paz que chora ocultamente, suplicando que a bomba se acabe, que o monstro se cale, que a liberdade se propague. Sou a vontade de união, a capacidade de superação, o sonho da reconstrução, a voz fina de Temple seguindo o escuro. Sou o cinzeiro largado de Lispector. Sou Chicago, sou Blues, Fitzgerald.
Abro as portas para Frank Sinatra. Escuto o que ele tem a dizer. Ele diz Rock N' Roll, ele diz Bossa Nova, ele diz nova era. Deixo o vinil chiar. Deixo Hardy aparecer. Há algo de novo pelo ar, e não há como escapar dos novos desvaneios que essa maquete de mudanças me propõe. Brigitte Bardot é, e sempre será a mulher mais bonita e charmosa do mundo. Marlon Brando é imbatível, mas concordamos que James Dean tem seu charme. Juventude. Juventude Transviada.
Abrem-se as alas.Eu sou John, sou Paul, sou George e sou Ringo. Sou Londres, Liverpool, mas também sou Brasil. Caminho cantando e seguindo a canção. Vou a San Francisco, por isso deixo essas flores no cabelos. Eu grito pela paz, eu choro pelo Vietnã. Faça amor, não faça a guerra. Eu sou a estrada de cores, eu sou o psicodelismo em pessoa. Tento seguir qualquer caminho, com uma pequena ajudinha dos meus amigos.Deixo o som tocar, deixo minha personalidade gritar, deixo meu cabelo esvoaçar, sem ligar a mínima para o que vão dizer. Ainda uso meu chapéu da máfia, ainda guardo meu velho truque estratégico de gangster. Ainda sei muito e ainda guardo muitas coisas velhas. E ainda não sei não pensar você.

4 comentários:

Juan Moravagine Carneiro disse...

Um dos textos compostos por recortes e fragemtnos mais bacanas que já vi...

...O século XX, principalmente em sua primeira metade foi sem sombra de dúvida maravilhoso no mundo das artes...!

Dryka Sales disse...

Oi,
adorei seu blog, tá lindo! *-*
Me visita?
Beijooooos. :*

http://drykasales.blogspot.com

Áurea disse...

Gente, esse texto é ótimo! Você mesma quem escreveu? Adoro todos os ícones citados, mas em especial Brigitte Bardot! :) Hahaha

elry disse...

"Eu sou arte moderna, seu grito de liberdade, seu anseio de futuro"

mas eu adoreeei isso!!! *-*
e eu adoro "finais" e a forma como vc termina seus textos me agrada muito! ;*