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segunda-feira, 26 de abril de 2010


Geração Gossip Girl

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  Quando eu era adolescente (o que não faz tanto tempo assim), gostava de livros, filmes e Harry Potter. Assistia Disk MTV, mas os clipes que ficavam no topo das paradas, eram nada menos do que Limp Bizkit, Foo Fighters, Tihuana e System of a Down. Tudo bem.. haviam algumas 'porcarias' como 50 Cent e 'Dogão' para desentoar, mas esse tipo de música, definitivamente não era predominante. Eu era simples, via simplicidade nas coisas. Gostava de sair à tarde para tomar sorvete ou passar a noite conversando na casa de uma amiga. Os seriados que faziam sucesso quando eu era adolescente, pregavam valores de amizade, amor, simplicidade e ajuda ao próximo (Everwood, Felicity, The OC). A minha adolescência, que foi há tão pouco tempo, já completamente diferente da adolescência atual. Incrível ver como as coisas mudam, e mudam tão rápido!
 Eu não vi a revolução industrial, mas estou vendo (e vivendo) a revoluão digital. Às vezes penso se essas ondas virtuais como twitter, orkut, facebook e outros são positivas. Às vezes penso, se até mesmo a Globalização é tão positiva assim. Quando eu tinha 13 anos, não existia orkut, nem twitter, nem um bando de coisas, e ainda assim, já existia futilidade e a paranóia do 'normal', do 'não destoamento'. Não gosto da minha geração. Sofri na escola por não ser igual aos outros e por não valorizar uma sandália cara mais do que um livro do Harry Potter. Sempre digo que a minha geração é um lixo, e é difícil que eu mude minha opinião a respeito disso. Mas se há algo pior do que a minha geração, é a geração que vem depois da minha.
 Não consigo aceitar o fato dos adolescentes de hoje serem tão iguais, de idolatrarem coisas tão banais. Não consigo entender, por exemplo, qual é a graça em ter um twitter apenas para mandar mensagens para os menininhos produzidos pela Capricho. Digo produzidos, porque é isso que eles são. MONTADOS por uma revista que era para ser um exemplo para as mocinhas, e acabou virando um pólo de futilidade, onde valores como beleza (colírios, han?),roupas e maquiagens caras são cultivados e essenciais. Parece que os jovens estão perdendo a capacidade de pensar sozinhos, e aceitam (com muita facilidade, por sinal) tudo que é imposto para eles.
 As meninas com quem eu tomava sorvete depois das aulas, hoje, querem ser Serenas e Blairs de Gossip Girl. Querem ser ricas (ricas não. Milionárias), maravilhosas, desejadas. Acham bonito aquela coisa de idolatrias sem fundamentos, intrigas, fofocas, tudo misturado com futilidade.
Deixo claro que não tenho absolutamente nada contra o seriado Gossip Girl em si. Mas ele era para ser apenas um seriado, não um modelo de vida.
 São todos robôs. Garotas mais velhas querem ser Blair e Serena. Garotas mais novas querem ser Miley Cyrus, Demi Lovato e Selena Gomez. Garotos mais novos querem ser Justin Bieber ou Eduardo Surita. Garotos mais velhos querem ser Federico Devito ou Cadu do Big Brother. Meninas disputam Edward Cullen e Jacob não-sei-o quê. Meninos disputam Megan Fox e Juliana Paes. E eu me pergunto: O que foi que alguma dessas GRANDES celebridades citadas por mim fez de produtivo, positivo ou espetacular? Nada. É verdade, ninguém quer o espetacular. Todos se contentam com o óbvio, com o comum.
  É por essas e outras, que eu prefiro a minha adolescência (que não foi lá grandes coisas em termos de 'ambiente revolucionário). Prefiro meus bullyings guardados, minhas cartas não enviadas, meus textos escondidos. Prefiro meu Harry Potter e as teorias que nunca foram concretizadas. Prefiro minhas bandas de rock com seus vocalistas estranhos, que ganhavam minha admiração não pela aparência que apresentavam, e sim pelo conteúdo de suas canções. Prefiro minhas tardes sentada, cantando MPB com os amigos no meio fio. Prefiro o ICQ, prefiro o bate papo da uol. Eu sei que os tempos mudam, mas definitamente, tenho medo do que virá.

15 comentários:

criticamusical disse...

Se alguém falasse pra você: "na minha época, os adolescentes liam clássicos de verdade, como os russos os franceses e os grandes escritores brasileiros em vez de besteiras como HArry Potter, que cai no comum e não possui qualquer reflexão profunda, principalmente", o que você ia achar?
Os costumes, assim como a nossa língua, mudam. Nem pra melhor nem pra pior, simplesmente mudam.
fica a dica

Nathan Filipe disse...

gosteei do post. muito bom.!

Evandro Carlos Camacho (Zelvis) disse...

Muito boa publicação...
Achei bem legal mesmo.

* disse...

Faço minhas suas palavras! Gosto de críticas bem fundamentadas, e a sua, a meu ver, foi bem digna. Parece que quanto mais o tempo passa mais a humanidade tende a regredir...
Engraçado, quando eu era adolescente também gostava exatamente das mesmas coisas que você!! ^^
Fico grata pelo elogio a respeito do blog, ainda mais assim, de forma tão espontânea...
=*

Every Day disse...

Adorei seu texto. Além de estar completamente certar, sinceramente, tô cansada de, praticamente, todos os sites que entro ficarem idolatrando os "personagens" que você citou.
Eu, graças a Deus, não faço parte dessa "cultura", prefiro ficar com o Disk e os outros que você citou, da época em que música era música, e que, valores vinham antes de beleza física.

Parabéns pelo blog e Obrigada pelas palavras no meu. Seguindo. =D

Ana Beatriz disse...

Obrigada *_*.
Com certeza virei mais vezes aqui.
Beijos

Evandro Carlos Camacho (Zelvis) disse...

Mais um comentário...
As gerações não vão e vem, apenas vão.
O que era fantastico para nossa adolescencia é visto por muitos jovens de hoje como brega ou ultrapassado.
O que vale mesmo são as nossas lembranças.
Abraços...

Jaqueline disse...

Só tenho algo a dizer sobre o seu texto: ARRAZOU!!!

Também sinto a mesma coisa, olha que eu tenho 24 anos, imagina a diferença que eu sinto. Vc citou as revistas teens de hoje e o interessante q até elas ao meu ver são mais idiotas hoje em dia. Até no meu tempo [que também não faz tanto tempo assim, rs] as revistas tinham outros valores. Eram mais divertidas em menos "propagandiosas", "roboticas" e repetitivas. Parece que eu tenho a sensação que toda semana é a mesma capa, a mesma futilidade. Tenho pena dessas meninas e meninos que vivem no mundo da imaginação. Não considero a minha geração melhor do que a de hoje, mas em compação essa, é muito melhor...

Malu Attaque disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
lusca fusca disse...

Seu blog é sensacional

Mileto Neto disse...

"Os costumes, assim como a nossa língua, mudam. Nem pra melhor nem pra pior, simplesmente mudam."

Concordo contigo, criticamusical. Mas, a mudança, muitas vezes pode trazer um prejuízo enorme.

Eu acho que podemos sim falar em melhorar ou piorar as influências pros adolescentes. Os produtos que os meios de comunicação vem fabricando para a nova geração vem sendo cada vez mais enlatados, iguais.. Nada mais se cria!

A alienação por tais produtos (que eu admito, SEMPRE existiu alienação) vem sendo cada vez mais clara, mais velada mesmo. Meninas de 12 anos, que nem conhecem nada da vida ainda, já querem namorar com o Justin Bieber, e usam "Pulseiras do Sexo", quando ainda nem sabem o que é menstruação, por exemplo.

Eu ainda tenho esperança de que isso mude, de que mudem os costumes e as modinhas, para que as crianças voltem a ter aquela inocência característica delas...

(desculpem algum erro ou má compreensão, fui digitando sem pensar muito, 'cuspindo' pensamentos :D)

Fael...¬¬ disse...

A adolescencia é um delírio, eu lembro vagamente da minha, e desejo estar nela todos os dias, pra me divertir de novo e fazer tudo diferente^^

mas isso sempre acontece, por acaso vc não lembra do KLB? e Das Xiquititas? antes disso tinha o dominó! e ainda Back street boys!!!ahhhhh

sempre vão haver coisas desse tipo!!!

mas a adolescência no Brasil é fútil pq a cultura é fútil!!!!

Karla Hack disse...

Este dias eu tava pensando bem nisto... como os conceitos mudaram tão rápido! Eu peguei a fase Dawson's Creek, Felicity e até o antigo Berverly Hills... Eu lia Sidney Sheldon e gostava de filmes da década de 80... Agora é tudo tão frugal e precoce... Belo post!

Anônimo disse...

Oi! Primeiramente gostaria de dizer que gostei muito do seu blog, me identifiquei muito com ele.
Mas, como não poderia deixar minha parte "crítica construtiva" de lado..rsrs. Vou até parecer um peixe fora d' àgua vendo os comentários acima...
Porém, não posso deixar de comentar que fiquei triste, quando vc disse que: "sempre digo que a minha geração é um lixo" E que a geração futura será pior...
Respeito muito a sua opinião, mas já pensou se todo mundo pensar assim?! Daí realmente acreditarei que o mundo estará fadado ao fracasso.. Acho que devemos começar sendo a mudança que queremos ver ao nosso redor, ao invés de só criticar. E TODO mundo, TODO mundo tem alguma "futilidade", o importante é não deixar se escravizar por elas, e alido a isso, procurar amar mais ao próximo e resgatar valores.
Acredito nas gerações futuras e Por que não na minha?! Que inclusive, é a mesma que a sua...AMO a minha geração, nela que conheci e conherei as pessoas mais especiais da minha vida e que também recebi esta dadiva de Deus que é VIDA!
Até fiz um post inspirada no seu post..rsrs...
Desculpe o "texto", sou uma matraca mesmo, rsrs... E por favor querida, nada pessoal, disse e repito, amei seu blog, mas não podia deixar de dar a minha opinião.
bjs

Jê Paraná disse...

Perdão, pelo segundo cometário, não me indentifiquei sem querer anteriomente... Jê (Paraná).

Oi! Primeiramente gostaria de dizer que gostei muito do seu blog, me identifiquei muito com ele.
Mas, como não poderia deixar minha parte "crítica construtiva" de lado..rsrs. Vou até parecer um peixe fora d' àgua vendo os comentários acima...
Porém, não posso deixar de comentar que fiquei triste, quando vc disse que: "sempre digo que a minha geração é um lixo" E que a geração futura será pior...
Respeito muito a sua opinião, mas já pensou se todo mundo pensar assim?! Daí realmente acreditarei que o mundo estará fadado ao fracasso.. Acho que devemos começar sendo a mudança que queremos ver ao nosso redor, ao invés de só criticar. E TODO mundo, TODO mundo tem alguma "futilidade", o importante é não deixar se escravizar por elas, e alido a isso, procurar amar mais ao próximo e resgatar valores.
Acredito nas gerações futuras e Por que não na minha?! Que inclusive, é a mesma que a sua...AMO a minha geração, nela que conheci e conherei as pessoas mais especiais da minha vida e que também recebi esta dadiva de Deus que é VIDA!
Até fiz um post inspirada no seu post..rsrs...
Desculpe o "texto", sou uma matraca mesmo, rsrs... E por favor querida, nada pessoal, disse e repito, amei seu blog, mas não podia deixar de dar a minha opinião.
bjs