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domingo, 25 de abril de 2010


A Floresta

11

A madrugada é escura, mais escura do que ela se lembrava. Todos os barulhos da noite são inaudíveis, e ela não escuta sequer o pio de uma coruja atenta, se é que existe essa coruja por onde ela está.
Faz frio, muito mais frio do que aquelas madrugadas quentes e aconchegantes de tempos mais felizes. Agora, esses tempos parecem muito distantes.
Ela se encolhe por debaixo do moletom preto, enorme para ela. Coloca o capuz tampando o rosto pálido, cruza os braços e segue andando. Não sabe exatamente aonde vai, não sabe aonde chega aquela trilha escura daquela floresta mais escura ainda. Consegue ver a lua de longe, mas o brilho não é o suficiente para iluminar a trilha, iluminar aquelas árvores e deixar a floresta menos escura. Mas o escuro não a assusta. Não mais. Ela tinha medo da floresta e do escuro quando criança, mas depois de tudo que passou, quase nada a assusta. Ela não tem medo de nada.
Continua a andar. Passos rápidos. Ofegante. Quer chegar próxima a algum poste de luz para saber mais ou menos aonde está, mas as tentativas são vãs. Quanto mais anda, mais desnorteada, mais perdida entre seus próprios pensamentos ela se sente. Pensamentos sombrios de uma noite escura. Ou pensamentos escuros de uma noite sombria.
Perdida como um inseto, ela tropeça e faz balançar o galho de uma árvore. Pássaros negros acordam, e voam com pressa, insatisfeitos. Voam, quase atropelados pela cabeça dela, quase atropelando a cabeça dela. Ela mal se move. Foi-se o tempo que tinha repúdio pelos pássaros da noite. Eles ao menos fazem barulho, e quebram um pouco do silêncio. Tanto da floresta, quanto do coração dela.
Continua a andar. Não pensa, em nenhum momento, para onde vai, aonde vai chegar. Nunca teve para onde ir, sempre esteve sozinha, e isso não a incomoda mais. Ela não vive, nem existe. Ela é apenas uma ilusão de sua própria vida. Uma ilusão perdida em pensamentos sem fim. É uma ilusão perdida em meio a tristes canções cantadas por anjos expulsos do céu.
O céu. Ela olha para o céu, como se carregasse um último fio de esperança. Mas ele também é escuro, escuro como aquela madrugada e escuro como aquela floresta. E a lua, sozinha, não é suficiente para iluminar toda aquela escuridão.
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11 comentários:

lusca fusca disse...

Crescer me faz me sentir desse jeito.

Miau disse...

Seus textos são esteticamente impecáveis, mas algo torna a leitura cansativa. O vermelho no branco ficou meio desconfortável. Abraço!

@liiereginato disse...

Quanto mais anda, mais desnorteada, mais perdida entre seus próprios pensamentos ela se sente. *-------* adorei demais demais é o tipo de texto que eu gosto me vi nele mto bom o blog ps: atooron vermelhin e branquin :D

Lenivaldo Silva disse...

Olha, muito legal a forma como você escreve. É fácil de entender o que você está dizendo é não há muito rebuscamento nas suas palavras.
Mas particularmente não gosto desse tipo de texto, surge do nada e termina do nada. Tudo bem que a gente pode ter uma interpretação que "as vezes caminhamos no escuro sem saber pra onde ir", "procuramos uma luz, mas não encontramos" e tal, mas não acho interessante essa forma de expressar essas mensagens.
Mesmo assim, valeu a visita.
E voltarei mais vezes

Humor do NetoO disse...

muito f#da esse texto. alguns textos que leio em outros blogs quase nunca me deixam fixados na tela, e esse não foi um deles. gostei bastante. vc escreve muito bem.

Hannah disse...

Suspense. Leria facilmente esse texto num daqueles fóruns de rpg de vampiro ou lobisomem, não esperava encontrar nada assim num blog.
Gostei muito. Escreve muito bem e traz imagens fortes daquilo que se passa dentro da personagem.
parabéns!
gostei muito do blog, de todo ele.

Art =] disse...

meo..vc escreve muito bem
adorei o texto, msmo *-*
parabens ae =D

Keizy Barreiro disse...

Opa, escreves muito bem.
Parabéns.
é escritora?? ou só curte escrever mesmo?

Grafite disse...

"Ela olha para o céu, como se carregasse um último fio de esperança."

legal, você escreve muito bem!!!

beiijo

Juan Moravagine Carneiro disse...

As vezes não é de luz que precisamos...pois algumas delas nos cegam...

...Sendo assimnem toda escuridão e nem toda solidão é em todo ruim...Como já havia dito para uma grande amiga - o segredo é não confundirmos solidõa com isolamento!

Muito agradável seu espaço

Karla Hack disse...

Envolvente demais!
Parece ter saído direto da alma, de cada canto escondido e de cada sentimento! adorei!!